À propos do cherne

 

 

Que quis eu da poesia? Que quis ela de mim? Não sei bem. Mas há uma palavra francesa com a qual posso perfeitamente exprimir o rompante mais presente em tudo o que escrevo: dégonfler. Em português, traduzi-la-ia por desimportantizar, ou em certos momentos, por aliviar, aliviar os outros e a mim primeiro da importância que julgamos ter. Só aliviados podemos tirar o ombro da ombreira e partir fraternalmente, ombro a ombro, para melhores dias, que o mesmo é dizer para dias mais verdadeiros.

É pouco como projecto? Em todo o caso, é o meu.[1]

 

[1] Laurinda Bom, Alexandre O’Neill. Passo Tudo pela Refinadora, Lisboa, Editorial Notícias, 2003, p. 9.

 

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